segunda-feira, 16 de maio de 2011

Pesquisador vai testar na África do Sul sistema de produção criado na Embrapa


A partir de maio começa a ser testado na África do Sul o sistema integrado de exploração de águas salobras do subsolo desenvolvido na Embrapa Semiárido e adotado pelo Programa Água Doce, do Ministério do Meio Ambiente. A produção de alimentos, a oportunidade de gerar renda e ainda a oferta de água de boa qualidade são os aspectos que o professor Mbhuti Hlope, da North-West University, considera interessantes para a implantação da tecnologia no país africano.
Em recente visita à Embrapa Semiárido, na companhia do pesquisador Paul Herrmann, da Embrapa Instrumentação Agropecuária, Mbuthi pode conhecer uma Unidade Demonstrativa do sistema composto de um equipamento de dessalinização para tratamento da água salobra, três tanques para criação de peixe e uma área cultivada com erva-sal – planta forrageira que é bem adaptada a solos salinos.
No seu país, o professor Mbthuti coordena um centro que pesquisa temas referentes à água. Na cidade de Mandiobogo Village, realiza experimentos com um dessalinizador que é praticamente o mesmo em uso pelo programa do Ministério do Meio Ambiente e que leva a água para alunos de uma escola primária.
Perspectiva – O professor quer avaliar no seu país o sistema da Embrapa para passar a aproveitar os efluentes do processo de dessalinização na criação de peixes e na irrigação da planta forrageira que sobrevive bem em solos com elevados teores de sais.
Ele ainda planeja estudar formas de usar a água transformada em potável para irrigação de espécies frutíferas como goiaba, limão, laranja, dentre outras culturas.    
 “Nossa intenção é poder oferecer meios de geração de renda, para isso é preciso criar estratégias que sustentem a produção de frutas em comunidades carentes da África do Sul. Daqui a dois meses implantaremos, em caráter experimental, o sistema criado pela Embrapa. Se tudo correr como planejado, em um ano e meio começaremos a instalação de projetos pilotos em comunidades rurais”, planeja o professor.
Cooperação - Mbhuti está no Brasil deste outubro devido a acordos de cooperação técnica que o governo federal mantém com diferentes países do continente africano.
Segundo o pesquisador da Embrapa Instrumentação Agropecuária, Paul Herrmann, que acompanhou o visitante a Embrapa Semiárido, a parceria com estudiosos da África do Sul vem se consolidando.
“Nos já temos com o pessoal do professor Mhbuti uma parceria muito grande na área de nanotecnologia. O grande objetivo dele é desenvolver tecnologias, a exemplo de novas membranas usadas no processo de dessalinização, para oferecer aos moradores da área semiárida de seu país uma água de boa qualidade”.


quarta-feira, 11 de maio de 2011

Minuim: moradores comemoram melhora
na qualidade de vida


Já bebendo água de boa qualidade, comunidade agora vive expectativa em torno
da produção de alimentos



Quem chegar a Minuim, povoado baiano de Santa Brígida, cidade localizada a 424 km de Salvador, e perguntar aos seus moradores o que mudou depois da instalação da Unidade Demonstrativa (UD) do Programa Água Doce (PAD) pode ouvir, numa simplicidade sertaneja, uma única palavra: “tudo”. É o que se ouve de seu Edvaldo Caetano, seu Clóvis Guedes e Dona Cleide Feitosa.


Diferença tão grande assim veio com a mudança da fonte de onde passaram a se abastecer: trocaram o carro pipa pelo poço artesiano perfurado no próprio povoado. Os elevados teores de sais foram resolvidos com a instalação de um equipamento de dessalinização pelo PAD que é vinculado ao Ministério do Meio Ambiente.



Com o adeus aos carros-pipa e o novo sistema de abastecimento, comemoram o ganho na saúde pública da comunidade. “O soro que vinha para nosso povoado não dava para tantos casos de diarréia infantil. Hoje, esses casos praticamente zeraram”, afirma o Agente de Saúde Edvaldo Caetano.

Consumindo uma água de boa qualidade desde a instalação da UD, em novembro de 2010, agora os moradores vivem a expectativa em torno da produção de alimentos com a criação de peixes e o a irrigação de planta que é boa forrageira para a engorda dos rebanhos. A primeira despesca nos viveiros que integram a UD é esperada ainda para este mês de março.

Capacitação – Na área da forrageira, os técnicos e bolsistas envolvidos com a instalação da UD ta realizaram o primeiro treinamento com agricultores da comunidade no aproveitamento da planta na forma feno e silo. Desta primeira capacitação com o zootecnista Rafael Araújo, bolsista do PAD, participaram 20 criadores de caprinos e ovinos.

De acordo com ele, “a depender do desenvolvimento da planta, pode-se ter, em cada quilo, 25% de proteína, o que torna a cultura uma boa opção forrageira”. No curso, ele enfatizou que as proteínas são responsáveis pela geração de músculos e leite nos animais.

Maria Cleide Feitosa, moradora da comunidade, espera que a planta “ajude a gente a criar um bichinho porque em tempo de seca a alimentação aqui é muito difícil de encontrar”.

Sustentabilidade – O Programa já implantou sete UDs em comunidades dos estados da Paraíba, Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte e Alagoas (?). E, embora os equipamentos e instalações sejam custados integralmente com recursos do Ministério ou instituições parceiras como o BNDES e a Fundação Banco do Brasil, o Programa adotou uma forma de gestão que confere à comunidade ampla autonomia para administrar o uso da água e a exploração dos sistemas produtivos (peixe e a forrageira).

No caso de MInuim, por exemplo, após a capacitação em técnicas de armazenamento de forragem, os agricultores firmaram uma espécie de pré-acordo e decidiram que o feno preparado na comunidade será vendido a R$ 0,50 o quilograma. O dinheiro arrecadado terá como destino a manutenção da UD. Por este pré-acordo, também ficou definido que a silagem caberá aos agricultores envolvidos nos cuidados com a plantação da erva sal na Unidade Demonstrativa.

Esta metodologia do Programa de estimular decisões coletivas aumenta a responsabilidade dos agricultores na operação dos equipamentos e instalações. Esta forma de gerência comunitária é o melhor caminho para garantir sua sustentabilidade, afirma o engenheiro agrônomo Gherman Garcia Leal Araujo, da Embrapa Semiárido.

Vitrine – Junto com a UD, a Embrapa instalou em Minduim uma área cultivada com 16 variedades de espécies alimentares como mandioca, feijão, milho, amendoim, gergelim; forrageira, a exemplo de pornunça, guandu, gliricídia e leucena; e com potencial energético (mamona). Nesta área, que os pesquisadores chamam de Vitrine Tecnológica, no período da colheita, está programado a realização de um dia de campo.

“A nossa idéia é apresentar práticas de manejo e variedades para que os agricultores observem e avaliem o desempenho produtivo, façam comparações com o material que costumam plantar nas suas propriedades. É um espaço para troca de informações e de conhecimentos e que poderá ser responsável por muitas inovações nos sistemas agrícolas das comunidades onde o Programa Água Doce está implantado”, explica o pesquisador Gherman Garcia Leal de Araújo.